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Diálogos com a História

PÁTRIA SERTANEJA

No dia 20 de novembro de 1695 morria Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Ícone da pátria “libertária” sertaneja, sua imagem se junta aos dos revolucionários Padre Cícero Romão Batista, ao beato Antonio Conselheiro e ao cangaceiro Lampião, também como herói de um povo oprimido. Seu nome está escrito no Livro dos Heróis do Panteão da Pátria, desde 21 de março de 1997. Por causa dele, Dandara e todos os guerreiros que tombaram na Serra da Barriga, na batalha contra os homens do bandeirante Domingos Jorge Velho, é que o Brasil comemora, em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra. Em São Paulo a data é preservada como feriado desde 2004. Na realidade trata-se de um dia para que a população possa conhecer, refletir e dialogar sobre a verdadeira história do Brasil, país que se formou a partir do sangue indígena e do trabalho, suor e da dor dos escravos.

No Rastro de Zumbi  

“...mais longa que a escravidão do Egito, mais dura que o cativeiro da Babilônia, foi a escravidão dos negros no Brasil. No Egito como na Babilônia, os hebreus foram submetidos a dura servidão. Puderam no entanto, conservar sua consciência de povo e, dignidade de pessoas. O africano ao contrário foi desenraizado de seu meio e separado propositalmente de sua gente e família”.

Dom José Maria Pires (Dom Zumbi) – Bispo Emérito de Fortaleza – negro brasileiro

Do século XVI ao XIX, 4.010.000 indivíduos foram seqüestrados de suas terras de origem, na África, amontoados em porões asfixiantes de navios e trazidos como escravos ao Brasil. Hoje, o continente dos afrodescendentes chega à cerca de 80 milhões de pessoas, 46,2% da população nacional, segundo o IBGE. Nestes quase cinco séculos, o braço negro possibilitou ao império português e grupos estrangeiros aqui residentes elites brancas que acumulassem fortunas, parte direcionada aos centros hegemônicos do planeta, parte investida no desenvolvimento da sociedade branca brasileira. Não bastasse a dívida econômica, este grande amálgama que se convencionou chamar de cultura brasileira é também imensamente devedor das línguas, das habilidades, religiosidades e saberes africanos. Dos movimentos corporais às preferências culinárias, das expressões idiomáticas às produções musicais, das formas de convivência às concepções religiosas, cada um de nós, negros e negras; brancos e brancas, traz a ancestralidade africana dentro de si. No entanto, a ilídica democracia racial da qual tanto nos orgulhamos ainda está longe de ser realidade. Se for verdade que, em um mundo dividido por ódios e preconceitos, o Brasil se diferencia com um grande espaço multiétnico e multicultural de relativa tolerância e convivência, também é fato que um racismo silencioso, que se prevalece de desigualdades econômicas herdadas dos tempos da escravidão e contribui para perpetuá-las, continua viva e atuante. A raiz do preconceito é o medo; e a raiz do medo é a ignorância. Incriminamos aquilo que tememos; e tememos aquilo que desconhecemos. Submeter nossa comunidade ao estudo da verdadeira história do negro no país é o objetivo da Série Diálogos com a História, que a cada edição, joga luz sobre um fragmento esquecido.

FIQUE SABENDO

ZUMBI, O LIBERTÁRIO

Na saga pela libertação de seu povo, Zumbi estabeleceu a república do Quilombo dos Palmares, a mais bem sucedida aventura libertária do povo negro. Palmares fica em Alagoas, e resistiu quase 70 anos às expedições enviadas pelas autoridades governamentais. Chegou a abrigar em torno de 20.000 escravos fugidos. Foi destruído e, 1693 por um exército de mais de 6.000 homens soldados mercenários e assim mesmo porque , após um mês de cerco a munição e os víveres acabaram. Zumbi conseguiu escapar. Dois anos mais tarde foi capturado e morto. Parte de seu corpo foi cortado e exposto em praça pública, como lição para quem tentasse fugir o resistir à escravidão. Mas, para os negros, Zumbi não morreu. Ele está aí, animando as lutas de ontem e de hoje, em busca da libertação. Salve Zumbi!

 

Expediente:

P esquisa - Joel Novaes

Coordenação – Adriana Serra e Pe. Dimas Martins Carvalho

Fontes consultadas:

Acervo do Centro de Educação e Cultura Afropaz

Revista História Viva

Fundação Cultural Palmares

CNBB – Campanha da Fraternidade 1988