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AfroPaz - 2008

Os Negros nos Jogos Olímpicos



Foi somente na terceira olimpíada, em St.Louis-1904, que os Jogos registraram a presença dos primeiros ateltas negros. E não poderia ter sido mais vergonhoso por parte dos organizadores. Dois zulus semi selvagens, Lentauw e Yamasani, foram a uma espécie de exposição na cidade e acabaram disputando a maratona da Olimpíada. Correram descalços e com chapéu de palha. Provocraam risos da platéia americana. Aliás, essa exposição por si só foi vexatória. Aos moldes da Olimpíada, foi chamada de "Dias Antropológicos, espécie de Jogos disputados por membros de tribos africanas e índios americanos. Diante dos resultados esperadamente fracos de "atletas" desepreparados e, por isso, desengoçados, uma edição da Enciclopédia Britânica da época usou o fato para argumentar sobre uma suposta inferioridade dos negros no esporte, o que quase um século depois concluíram exatamente o contrário. Ao saber da gozação para cima dos negros e índios, o barão de Coubertin soltou a profecia: "o negro, o vermelho e o amarelo ainda não aprenderão a correr, a saltar e a arremessar muito melhor do que o branco". Pouco mais de três décadas depois, um negro entraria para a história por "sabotar" a festa nazista na Olimpíada de Berlim-1936. Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro naqueles Jogos e liderou um grupo de negros que dominou as provas de atletismo, um resultado cruel para a crença nazista da chamada raça ariana, branca e superior. Nos Jogos da Cidade do México -1968, os americanos Tommie Smith e John Carlos, vencedor e terceiro lugar da prova dos 200m do atletismo, protagonizaram o episódio mais marcante da Olimpíada. Subiram ao pódio descalços, simbolizando a pobreza dos negros nos Estados Unidos, e ergueram os punhos durante o hino americano, fazendo vigorosa saudação do movimento Black Power. Foram banidos dos Jogos por ordem do COI, por ter usado o esporte como manifestação sóciopolitica. Nunca os atletas negros tiveram tanto destaque em uma Olimpíada como há quatro anos, em Atlanta-1996, cidade berço da luta contra o racismo nos anos 60 nos EUA. Recordes de medalhas, recordes de tempo, recordes de midia contribuíram para realçar a imagem de superioridade negra no esporte, como profetizou Pierre de Coubertin em 1904, diante da humilhação dos negros nos Jogos de St. Louis. Nesse sentido, Atlanta foi uma verdadeira Olimpíada negra. A África do Sul teve seu primeiro medalhista negro, Hezekiel Sepeng, prata nos 800m. França, Itália e Grã Bretanha foram os países europeus que subiram ao pódio no atletismo graças também a atletas negros. Em Atlanta, pela primeira vez uma ginasta negra ganhou uma medalha de ouro olímpica. Uma policial etíope foi a primeira negra a vencer uma maratona. Em muitos esportes elitistas, a dificuldade de acesso de um negro é bastante acentuada. A natação, por exemplo, só foi ter seu primeiro campeão olímpico negro em Seul 1988, com o surinamês Anthony Nesty. Jesse Owens, Teófilo Stevenson, Tommi Smith e Jhon Cralos, Wilma Rudolph, Carl Lewis e Florence Griffith Joyner são alguns dos principais atletas negros da história dos Jogos Olimpícos.
Entre os brasileiros destacam-se: João do Pulo, Adhemar Ferreira da Silva, Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa, Robson Caetano e Jadel Gregório.

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